quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

teu verbo




















teu verbo
rasgou-me em trapos
destruiu sonhos
tocou-me o sexo
e roubou minha fala

teu verbo
tomou-me à força
como quem fere
e invade
sem preocupação

teu verbo
penetrou-me seco
qual falo
que corrompe
sem cuidado

por fim,
sem mais nada a dizer
deixou-me vazia
no chão.

3 comentários:

Patrícia Di Carlo disse...

Forte, verbalizado, doído e tão lindo!!

Ft disse...

"Teu verbo" deu uma ideia vasta, sente?
É isso que amo. Esta dubiedade.
Tudo posso interpretar 'teu verbo'.
1. O que falas.
2. O que fazes.
3. Todos os verbos da grámatica.
----
E não somente... este poema é grandioso, sublime.
O desfecho também é dúbio, como "teu verbo".
Apesar da sensualidade, há uma poesia casta... que deseja ser mais do que a própria sensualidade.
Que deseja ser tudo.

Costumo ler seus poemas, mas muitos não gostam das minhas "interpretações"...
...e é quando me calo.
Porém, tens meu apreço.

Um abraço,
Osvaldo Fernandes.

Larissa Marques disse...

obrigada, amores!